No âmbito do projeto SocialMente, temos o privilégio de intervir junto de jovens. Entre os diversos desafios que acompanhamos, a intervenção com jovens com o diagnóstico de mutismo seletivo destaca-se como um dos mais complexos e sensíveis.
Trabalhar com jovens que não conseguem comunicar verbalmente em determinados contextos exige que nós, enquanto equipa, nos afastemos de métodos convencionais. A primeira barreira é a comunicação, e é aí que entra o papel transformador do cão de terapia.
Nestas sessões, o foco desloca-se da pressão do “ter de falar” para o prazer do “interagir”. O cão não julga, não questiona e não espera uma resposta verbal imediata. Esta aceitação incondicional permite-nos:
– Reduzir a ansiedade social incapacitante
– Criar novas formas de conexão (gestual, afetiva e lúdica)
– Motivar a iniciativa, onde o desejo de interagir com o animal supera o medo da exposição.
A eficácia desta abordagem não é apenas empírica, é comprovada. Estudos na área das Serviços Assistidos com Animais demonstram que a interação com cães de terapia promove a libertação de ocitocina e a redução drástica do cortisol, permitindo que jovens com inibição comportamental severa, como no mutismo seletivo, reduzam os seus mecanismos de defesa e aumentem a predisposição para a comunicação social.
Ver os resultados positivos nestes jovens das ULS onde trabalhamos reforça a nossa missão: adaptar a clínica ao contexto de cada um.
A operação SocialMente foi apoiada pela @portugal.inovacao.social 2030 – Parcerias para a Inovação Social e pela União Europeia. Os Fundos Europeus Mais Próximos de Si.